Espaço Reservado:
Ancestrais
| Observo com
melancolia as lápides amareladas do cemitério onde
repousam os corpos de meus ancestrais... Foram eles bons
ous maus (ou bons e maus), certamente estarão
velando pelos seus descendentes (quem sabe). Os seus
corpos jazem imóveis, corroídos. Os seus ossos um dia
se dissolverão e nada restará deles exceto nossas
lembranças. Essas não se apagarão e, mais que isso,
propagar-se-ão para os nossos filhos e netos e bisnetos,
porém, um dia, seus rostos e nomes serão completamente
esquecidos. Eles serão apenas nossos ancestrais, não
importa o que ou quem tenham sido. Se foram bons, serão
citadas suas bondades, se foram maus, serão citadas suas
maldades, mas sempre como um exemplo para o aprendizado
de seus descendentes. Se para nada servir esta vida, se
nosso ideal de Deus não passar de um mero engano, ainda
assim valerá a pena saber que, apesar do que quer que
tenhamos sido, haverá sempre alguém que, mesmo que
nunca nos tenha visto ou conhecido, carregará nossa
bagagem consigo por pura força da ancestralidade. Monica Gomes Teixeira Campello de Souza |
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