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Boatos

 
 
  Contaram certa vez a Antônio que um homem visitou sua casa. Antônio, desconfiado, procurou o vizinho para confirmar a história. O vizinho confirmou e acrescentou que o homem visitou sua casa mais de duas vezes. Ainda desconfiado, Antônio procurou outro vizinho e este, por sua vez, além de confirmar a história, disse que o homem, nas diverdas vezes em que foi à sua casa, passou lá a tarde inteira. Antônio, ainda mais desconfiado, procurou o sorveteiro que costumava passar a tarde nas redondezas. O sorveteiro confirmou a história e disse que o homem era alto e forte. Antônio, já muito nervoso, procurou um amigo para aconselhar-se. O amigo confessou ter sabido da história e ter sabido também que o tal homem misterioso sempre saía de sua casa muito apressado.

Depois de todas as informações que colheu, Antônio teve absoluta certeza de estar sendo traído. Foi para casa sentindo-se a pior das criaturas. Não seria capaz de suportar tamanha traição. Contudo, tinha a esperança de estar enganado e convenceu a si mesmo que ouviria a esposa, ao menos daria a ela o benefício da dúvida.

Quando chegou em casa, antes sequer de abrir a porta, sentiu um enorme aperto no peito, uma dor lancinante e ali mesmo tombou, vítima de enfarto fulminante.

A esposa de Antônio chorou seu falecimento, mas bem menos do que o esperado. Cerca de trinta dias após a sua morte, ela casou-se com um homem alto e forte que costumava visitá-la regularmente.

As vezes, um simples boato, tem o poder de livrar-nos de duras verdades...

Monica Gomes Teixeira Campello de Souza