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Reencontro

 
 
  Estive outro dia em um almoço com ex-alunas do colégio onde estudei durante anos. Algumas delas eu sequer lembrava que existiam, outras lembrei imediatamente de suas fisionomias assim que as vi. Senti-me extremamente deslocada. Além do fato de eu nunca ter sido uma aluna muito popular, percebi que a maioria delas preocupava-se demais em avaliar onde havíamos chegado e o que tínhamos feito de nossas vidas do que propriamente em confraternizar-nos e reatarmos os laços de amizade que poderiam vir a ser verdadeiros e duradouros.

Obviamente, era de se esperar que houvesse uma avaliação mútua, mas eu, talvez em virtude de um romantismo exacerbado, esperava mais calor humano e, eventualmente, uma troca de endereços e telefones, o que, lamentavelmente, não ocorreu. Bem, pude observar que algumas delas se transformaram em excelentes profissionais, outras nem tanto. Outras são excelentes donas de casa e criam seus filhos com primor, enquanto outras sequer se casaram. Eu esperava que, além disso, pudesse dizer que se tornaram seres humanos maravilhosos, com espíritos amigáveis e generosos, mas, infelizmente, não posso fazê-lo, e lamento que jamais venha a saber o que são realmente, porque não houve espaço para a construção de um contato mais freqüente. Nossas vidas se dissiparam e se distanciaram, e realmente não há interesse em que seja diferente.

Não vejo razão para reviver o passado sem que disso resultem conseqüências positivas para o presente e para o futuro; caso contrário, prefiro conhecer novas pessoas mais desprevenidas e mais dispostas a conhecer primeiro para, então, avaliar.

Felizmente, todos os acontecimentos da vida servem como aprendizado, aprendi que algumas pessoas passam em nossas vidas apenas para que aprendamos a lidar com a disparidade entre nossas expectativas e a realidade. Seja como for, sempre vale à pena.

Monica Gomes Teixeira Campello de Souza