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Reflexão

 
 
  São tantas as incoerências em nossas vidas, as irracionalidades que frustram as nossas expectativas, as expectativas perenes, vulneráveis, que não há como saber a que devemos nos apegar. Os pensamentos tornam-se um turbilhão de buscas, um ciclo impossível de ser quebrado.

Então, resta-nos um fio de esperança. Essa sim é persistente, inexplicável, e quase irritante, porque sempre acaba por retornar, mesmo que tênue. Dói ver que logo nos desapegamos das frustações passadas e já esperamos por novos dias que certamente serão iguais. As decepções se repetirão cada vez mais doloridas,. Sabemos disso. Basta o mínimo de inteligência para compreender o ciclo da vida, a inexorável queda da vida, suas repetições incessantes e suas inexplicabilidades.

As frustrações somam-se num ciclo sufocante até que, finalmente, morramos de alguma forma... Na melhor das hipóteses: velhos. Se deixarmos uma família, os mais próximos terão esperança de reencontrar-nos um dia, quem sabe. Quem sabe esta bendita esperança nos abandone enfim, quem sabe um dia ela se justifique.

Quem justifica a loucura do homem em busca de algo que o transcenda? Quem justifica a angustia, o tormento de uma busca que sabemos infinda, mas que nos persegue como um espectro maldito, um espectro imortal que nos assassina lentamente e que nos faz sentir tão ínfimos? Talvez devamos assassinar a vida e torcer para que não precisemos prestar contas depois...

É um despropósito amargo. Dias e dias se vão sem que percebamos. Sentimos dores e alegrias. Sabemos que passará... O que quer que seja, passará. Mas cá estamos nós à espera, sempre com a maldita esperança a atormentar-nos. Vivemos pelo que esperamos, mesmo sabendo que passará. Somos criaturas malditas, condenadas à mais absoluta ignorância e, pior ainda, à inconformidade involuntária.

Monica Gomes Teixeira Campello de Souza