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O registro das
ocorrências de um estudo científico necessita de um
meio de se representar os acontecimentos e fenômenos
adequadamente, ou seja, de registrar dados, o que é
realizado através das chamadas "escalas
numéricas". Basicamente, trata-se de modos de
expressar as qualidades e/ou quantidades das coisas. Para
que possam cumprir adequadamente a sua tarefa, as escalas
precisam apresentar duas propriedades:
- Exaustividade:
Abrangência que permita representar todos os
fatos e ocorrências possíveis.
- Exclusividade:
Coerência para que qualquer fato ou
acontecimento só possa ser representado de uma
única maneira.
Em outras palavras, as
escalas numéricas precisam ser capazes de exaurir todas
as possibilidades e, ao mesmo tempo, serem mutuamente
excludentes.
Respeitadas as
propriedades acima, as escalas podem ser de
essencialmente de quatro tipos:
- Escala Nominal:
É o nível mais elementar de representação,
baseado no agrupamento e classificação de
elementos para a formação de conjuntos
distintos. As observações são divididas em
categorias segundo um ou mais de seus atributos.
Assim, tem-se registros essencialmente
qualitativos, referentes a qual o tipo de
sujeito, objeto e/ou acontecimento que foi
detectado em cada caso. Para que se satisfaça o
princípio da exaustividade, é preciso que todo
e qualquer caso possível tenha uma
classificação, o que, muitas vezes, requer a
definiçao de uma categoria complementar
denominada "outros" ou "NDR".
- Escala Ordinal:
É a avaliação de um fenômeno em termos de
onde ele se situa dentro de um conjunto de
patamares ordenados, variando desde um patamar
mínimo até um máximo. Geralmente, designa-se
os valores de uma escala ordinal em termos de
numerais, ranking ou rótulos, sendo
estas apenas maneiras diferentes de se expressar
o mesmo tipo de dado.
- Escala Intervalar:
É uma forma quantitativa de registrar um
fenômeno, medindo-o em termos da sua intensidade
específica, ou seja, posicionando-o com
relação a um valor conhecido arbitrariamente
denominado como ponto zero. Tal aferição é
realizada conceituando-se a unidade de medida a
ser usada nessa comparação a partir da
diferença entre o valor do ponto zero e um
segundo valor conhecido. Uma propriedade básica
da escala intervalar, derivada do modo como ela
é definida, é o fato de que duas variações
iguais em termos de medidas intervalares
necessariamente correspondem a variações iguais
em termos do valor do que está sendo medido.
- Escala de Razão:
É a mais completa e sofisticada das escalas
numéricas. Ela é uma quantificação produzida
a partir da identificação de um ponto zero que
é fixo e absoluto, representando, de fato, um
ponto de nulidade, ausência e/ou mínimo. Nela,
uma unidade de medida é definida em termos da
diferença entre o ponto zero e uma intensidade
conhecida. A partir disso, cada observação é
aferida segundo a sua distância do ponto zero,
distância essa expressa em unidades da medida
que foi definida. Um aspecto importante a ser
observado é o de que, nas escalas de razão, um
valor de "2" efetivamente indica uma
quantidade duas vezes maior do que a do valor
"1", e assim por diante, o que não
necessariamente acontece nas demais escalas.
As escalas numéricas
apresentam entre si uma clara hierarquia no que concerne
à sua sofisticação e à sua capacidade de representar
os nuances do que é observado. A mais simples e limitada
é a escala nominal, permitindo
apenas a identificação de categorias. Em seguida,
tem-se a escala ordinal, que
permite diferenciar patamares. De maior alcançe ainda é
a escala intervalar, que
permite o posicionamento de valores em relação a um
ponto arbitrário. Finalmente, a mais poderosa de todas
é a escala de razão, que
permite a comparação de valores em termos absolutos.
Existe a possibilidade de
se transformar dados que foram registrados num
determinado tipo de escala numérica em dados de outro
tipo de escala, desde que se respeite a hierarquia e os
atributos básicos de cada uma. Assim, os dados de uma
escala de razão podem ser transformados em dados
intervalares, os intervalares podem ser transformados em
ordinais e os ordinais podem ser transformados em
nominais. Naturalmente, tais transições envolvem,
necessariamente, uma perda de informação. Apenas em
certas situações muito especiais, com base em
procedimentos axiomático-dedutivos, é possível se
fazer a trajetória no sentido inverso, porém isso deve
ser feito sempre com extremo cuidado, sob pena da perda
de significado.
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