Os Médicos e a Informática
Fonte de Dados: Vade Mecum Consultoria (2000/2001)


  O Impacto da Informática na Medicina    
  A avaliação que os profissionais de Medicina fazem do impacto dos avanços no uso de computadores e da Internet na qualidade dos serviços médicos do país (um impacto positivo, negativo ou neutro) é um indicador claro da relação entre tais laboratórios e os médicos. O diagrama abaixo mostra como se distribui tal relação entre os 465 profissionais abordados à esmo nas ruas e nas diversas instituições de saúde da cidade.

Como se pode ver, a esmagadora maioria dos médicos entrevistados considera que tanto os computadores quanto a Internet representam um impacto positivo na qualidade dos serviços de saúde do país, com uma pequena fração considerando esse efeito como neutro e menos de uma dezena de indivíduos identificando tal influência como negativa. Em suma, tem-se a clara predominância de uma percepção favorável

   
  O Contato Com a Tecnologia da Informação    
  Acesso à Informática

O gráfico a seguir mostra o percentual dos médicos entrevistados que tinham disponibilidade de computador e de acesso à Internet em casa, no consultório ou em outro local.

Os resultados deixam claro que a vasta maioria dos profissionais entrevistados tem computador e Internet em casa. Cerca de metade possui computador no consultório e aproximadamente um terço tem lá um acesso à Internet. Ao todo, considerando-se casa, consultório e outros lugares, tem-se que 95.2% dispõem de computador e 91.9% dispõem de acesso à Internet.

Domínio da Informática

O diagrama abaixo mostra o domínio dos entrevistados, segundo eles próprios, no uso de diversos tipos de software, usando-se aqui uma escala ordinal ("Não Sei Usar"=1; "Sei Alguma Coisa"=2; "Domino Bem"=3).

Ao que tudo indica, os médicos se mostram bastante confortáveis com o seu domínio do uso de ferramentas de comunicação, ou seja, editor de textos, e-mail e navegador Web (médias acima do nível "Sei Alguma Coisa"). Já o resultado para as ferramentas de análise e manipulação de dados, isto é, planilha eletrônica, gerenciador de banco de dados e pacotes estatísticos, os resultados se mostraram bem mais modestos. Agrupando-se os seis tipos em dois conjuntos de três ferramentas cada, criando-se dois indicadores, tem-se uma média de 2.27 para os programas de comunicação versus 1.61 para os programas de análise e manipulação de dados, uma diferença estatisticamente significativa (p<.05 no teste Mann-Whitney U).

   
  A Importância Atribuída à Informática    
  O diagrama abaixo mostra a importância que os profissionais atribuem ao conhecimento do uso de computadores e da Internet para que se possa ser um bom médico.

Percebe-se que aproximadamente 38% dos entrevistados acreditam que é de Grande ou Enorme importância o domínio do uso de computadores e da Internet para que alguém possa ser considerado como um bom médico. A maioria, cerca de 40%, acha que tal conhecimento é de importância Razoável. Apenas 22% crêem tratar-se de uma qualificação de Pouca ou Nenhuma importância para a Medicina.

Conclusões

Os 465 médicos entrevistados apresentaram uma opinião bastante positiva acerca do impacto dos computadores e da Internet na Medicina. Em consonância com isso, a quase totalidade declarou dispor de tais recursos de Informática em casa, no consultório e/ou em outro lugar. Contudo, em contraste com uma atitude de entusiasmo para com a tecnologia da informação, percebe-se alguma hesitação quando se trata de incorporar tais ferramentas na atividade médica em si. Foram assimilados os instrumentos computacionais com a capacidade de transmitir e receber informações relativas aos resultados da pesquisa e da prática médica (software de comunicação), porém, não aqueles que podem efetivamente contribuir para transformar o conhecimento e a forma de agir envolvidos em tais atividades (software de análise). Além disso, há um flagrante contraste entre os mais de 80% que atribuem à Informática um impact positivo na Medicina e os menos de 40% que consideram o domínio do seu uso como grande ou enormemente importante para que se possa ser um bom médico.

Em suma, tudo indica que os médicos tendem a acreditar que os computadores e a Internet representam um grande benefício para a Medicina, porém, que isso não ocorre através dos profissionais médicos em si, já que, estes últimos não se envolvem diretamente no seu uso enquanto ferramentas analíticas, tampouco acham que seja necessário incorporar o conhecimento de Informática nos requisitos da profissão. Dessa forma, chega-se à conclusão de que muitos dos grandes avanços que foram observados em termos de emprego da tecnologia da informação na Medicina devem ter se dado independentemente do profissional médico em si, mas através de outros.