Os
Médicos e as Seguradoras
Fonte
de Dados: Vade Mecum Consultoria (2000/2001)
| A Influência das Seguradoras na Medicina | |||
| A avaliação que os
profissionais de Medicina fazem do impacto das empresas
de seguro-saúde na qualidade dos serviços médicos do
país (um impacto positivo, negativo ou neutro) é um
indicador claro da relação entre as seguradoras e os
médicos. O diagrama abaixo mostra como se distribui tal
relação entre os 465 profissionais abordados à esmo
nas ruas da cidade e nas diversas instituições de
saúde. .
Como se pode ver, mais da
metade dos médicos entrevistados considera que as
seguradoras representam um impacto negativo na qualidade
dos serviços de saúde do país, com menos de um quinto
deles considerando que essas empresas representam um
efeito benéfico. |
| Fatores Condicionantes da Relação Com as Seguradoras | |||
| Gênero O gráfico a seguir mostra uma comparação entre médicos do sexo masculino e feminino quanto à sua avaliação dos impactos das seguradoras sobre a qualidade dos serviços de saúde numa escala ordinal (Positivo=3, Neutro=2; Negativo=1).
Ao que tudo indica, não há diferença estatisticamente significativa (p<.05 no teste Mann-Whitney U) entre os gêneros quanto à sua valorização da influência das empresas de seguros-saúde. Em outras palavras, não parece haver distinção entre os sexos quanto à sua relação com as seguradoras. Idade A idade do médico ou médica é um fator que influi em diversos aspectos de sua vida profissional, não sendo surpreendente que se encontre uma relação entre esta variável e a avaliação do impacto das empresas de seguro-saúde.
As evidências apontam para uma clara relação entre a maior idade do médico e a sua maior propensão a uma avaliação positiva dos impactos das empresas de seguro-saúde. De fato, há uma diferença estatisticamente significativa (p<.05 no teste Mann-Whitney U) entre as avaliações fornecidas pelos profissionais com mais de 45 anos de idade e as daqueles com 35 anos ou menos. Além disso, há uma correlação estatisticamente significativa entre as duas variáveis em questão (Spearman r = .14, p=.002). Principal Atividade Enquanto Médico É interessante verificar a existência ou não de uma relação entre o principal tipo de atividade realizado pelo médico e sua avaliação dos impactos das seguradoras na qualidade dos serviços de saúde.
Os resultados indicam que não há diferença estatisticamente significativa (teste Mann-Whitney U) entre as avaliações dadas às seguradoras pelos médicos que se dedicam aos diversos tipos de atividade. É interessante observar, porém, que o grupo dos que se dedicam a pesquisas epidemiológicas apresentou opinião bem menos homogênea do que a dos demais grupos (maior erro padrão). Titulação O gráfico a seguir mostra uma análise da relação entre a titulação máxima obtida pelo médico e a sua avaliação dos impactos das seguradoras na qualidade dos serviços de saúde.
Como se pode facilmente perceber, não há sinal de qualquer associação entre a titulação e a avaliação dos impactos produzidos pelas seguradoras. Não há diferença estatisticamente entre as avaliações dadas pelos médicos dos três níveis de titulação considerados (p<.05 no teste Mann-Whitney U) e também não há correlação significativa (Spearman r =-.02, p=.74) entre as variáveis. N° de Locais Onde Atua A maior quantidade e, conseqüentemente, diversificação, de instituições onde se atua, tende a expor o profissional de Medicina a uma maior variedade de empresas e planos de seguro-saúde. Desse modo, é importante verificar eventuais variações na avaliação que se faz das seguradoras em função do n° de locais onde o médico atua.
O resultado encontrado é o de que os médicos que atuam em dois lugares ou menos apresentam uma opinião mais positiva acerca das seguradoras do que os que atuam em três lugares e também mais positiva do que a dos que atuam em quatro lugares ou mais (em ambos os casos, diferença estatisticamente significativa para 5% no teste Mann-Whitney U). Público vs. Privado O gráfico a seguir mostra uma comparação entre os médicos que atuam predominantemente no setor público, no setor privado, ou igualmente em ambos os setores, no que concerne à sua opinião sobre os impactos das empresas de seguros na qualidade dos serviços de saúde do país.
Não foi encontrada diferença estatisticamente significativa para 5% (teste Mann-Whitney U) entre os médicos que atuam no setor público, no privado ou em ambos quanto à sua avaliação do impacto das empresas de seguros na qualidade dos serviços de saúde no Brasil. Renda É de se esperar que exista uma importante relação entre a remuneração dos médicos por sua atuação profissional e a avaliação que os mesmos fazem do impacto das seguradoras na qualidade dos serviços de saúde. Afinal, a própria interação entre as empresas de seguros e profissionais de saúde é de natureza pecuniária.
A relação entre a renda mensal do médico e a avaliação dada as seguradoras apresenta duas naturezas distintas. Na faixa de renda que vai até os R$ 6.500,00 mensais, a relação é inversa, ou seja, quanto maior a renda, mais negativa a avaliação (Spearman r = -.11, p=.03). Já na faixa de renda acima dos R$ 6.500,00, a relação é direta, isto é, o aumento da renda se associa a uma avaliação mais positiva (Spearman r=.29, p=.01). Tais achados são corroborados pelo fato de haver diferença estatisticamente significativa (p<.05 no teste Mann-Whitney U) entre as avaliações realizadas por aqueles com renda até R$ 2.500,00, aqueles com renda na faixa dos R$ 5.000,00-7.500,00, e aqueles com renda superior aos R$ 10.000,00. Consultório Próprio O diagrama abaixo mostra uma comparação entre os médicos que tem ou não consultório próprio quanto à sua avaliação do impacto das empresas de seguros-saúde.
Não foi observada diferença estatisticamente significativa para 5% (teste Mann-Whitney U) quanto à opinião acerca das seguradoras entre os médicos que possuem ou não consultório próprio. Posse ou Cota de Propriedade em Clínica, Laboratório ou Hospital Seria razoável supor que os proprietários ou sócios de laboratório, clínica ou hospital poderiam ter uma relação com os seguros-saúde que seria diferente daquela dos que não são sócios ou proprietários.
As evidências deixam
claro que não há diferença estatisticamente
significativa (p<.05 no teste Mann-Whitney U)
entre os proprietários e não-proprietários de
instituição de saúde quanto à sua opinião acerca das
seguradoras. |
| Opiniões e Perfis | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Comparações
Relevantes Além da análise das relações entre diversos atributos dos médicos e suas opiniões acerca das seguradoras, é importante realizar o estudo contralateral, ou seja, estabelecer contrastes e semelhanças entre os médicos com opiniões positivas ou negativas para com as empresas de seguros-saúde. Comparando Médias A tabela a seguir compara
os médicos que percebem as seguradoras como exercendo
posturas positivas e negativas em função das médias
para diversos fatores.
Como se vê, os que percebem as empresas de seguro-saúde positivamente tendem a apresentar maior idade, melhor domínio de Estatística e Informática, e opinião mais pejorativa quanto à qualidade dos serviços privados de saúde. Isso equivale a dizer que os que avaliam as seguradoras mais negativamente tendem a ser mais jovens, menos versados em Estatística e Informática, e mais otimistas quanto à qualidade dos serviços privados de saúde. Não existem diferenças estatisticamente significativas quanto às médias dos demais fatores. Comparando Proporções A tabela a seguir compara
os médicos que percebem as seguradoras como exercendo
posturas positivas e negativas em função das
proporções encontradas para diversas características.
Os resultados indicam que os médicos que avaliam negativamente as seguradoras tendem a ser mais propensos a atuarem no setor público, não havendo diferença estatística quanto à prevalência dos demais fatores. Resumo e Comentários O conjunto dos 465 médicos apresentou uma opinião geral bastante pejorativa no que concerne à influência das empresas de seguro-saúde. Na realidade, todos os subgrupos estudados mostraram média abaixo de 2.00, ou seja, abaixo do nível correspondente a uma influência "Neutra" (a única exceção é, naturalmente, o próprio pequeno conjunto dos médicos que tem uma opinião favorável). Quanto aos fatores associados a uma avaliação mais ou menos favorável acerca das seguradoras, os resultados obtidos apontaram para o seguinte:
Em suma, existem
diversos fatores que influem positiva ou negativamente na
avaliação que os médicos fazem das empresas de
seguros-saúde, porém, prevalece o fato de que há uma
tendência maior no sentido de uma opinião desfavorável
(cerca três opiniões desfavoráveis para cada opinião
favorável), o que torna o efeito de tais fatores algo de
importância secundária no contexto mais geral. Assim,
é seguro supor que existe algo (uma única coisa ou
diversos componentes ao mesmo tempo) que impulsiona a
classe médica no sentido de repudiar as seguradoras, sendo
tal mecanismo mais intenso e preponderante do que os
fatores menores que também foram estudados. |
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