
A EDUCAÇÃO DOS SUPERDOTADOS
| Considerações
Pedagógicas Princípios Fundamentais Maker (1982) salienta cinco aspectos pedagógicos fundamentais para a educação do superdotado; aspectos estes que, sem dúvida, favorecem a motivação, o interesse e a aprendizagem livres de tensão.
De um modo geral, trata-se de princípios que deveriam ser aplicados em toda e qualquer sala de aula, esteja ela repleta de superdotados, de pessoas normais ou até mesmo de retardados mentais. O que Maker ressalta é o fato de que a ausência desses preceitos é muito mais prejucial ao superdotado do que aos demais. Por serem indivíduos diferenciados do restante das pessoas, os superdotados requerem um tipo de educação especial que seja adequado às suas necessidades específicas. A menos que tais necessidades sejam atendidas no lar, na escola e na comunidade, é provável que estes estudantes falhem na realização de seu potencial pleno. Diretrizes Para Programas Especializados A dupla Arn e Frierson (1971) sugere que os objetivos de um programa de atendimento a superdotados não podem ser associados apenas ao desenvolvimento intelectual, mas também devem favorecer o crescimento pessoal e a interação social.
Feldhusen (1982), citado em Alencar (1986b), concorda e acrescenta que as necessidades especiais dos superdotados se enquadram em três categorias gerais: cognitivas, afetivo-sociais e generativas. Tannebaum (1983) também recomenda uma série de medidas interessantes a serem adotadas por qualquer programa de atendimento a superdotados.
Para a obtenção dos objetivos desejados em relação à educação dos superdotados, foram criados três tipos básicos de estratégia pedagógica: aceleração, enriquecimento e segregação. Aceleração A aceleração consiste essencialmente em se cumprir o programa escolar em menos tempo. De um modo geral, o objetivo é evitar que o superdotado fique na escola mais tempo do que o necessário, o que pode ocorrer de três formas diferentes:
Muitos autores advogam a favor da utilização do método da aceleração para o atendimento do superdotado. Clark (1979), por exemplo, reune os principais argumentos positivos, assinalando nove vantagens neste tipo estratégia.
Entretanto, apesar de todos os argumentos a favor desse processo, existem autores que criticam o método da aceleração. French (1964) argumenta que é importante para o desenvolvimento pessoal do aluno que ele seja mantido junto com colegas de mesma idade e nível social e emocional. Segundo ele, a criança que "salta" uma determinada série escolar completamente deixa de aprender toda uma gama de conhecimentos acadêmicos e sociais importantes e necessários, o que deixa "furos" em sua formação. Ainda de acordo com French, há a questão de que difícilmente a aceleração se dá de uma forma adequada em todas as áreas e dimensões. Já Stanley (1980) lembra que a aceleração não resolve a necessidade de um treinamento especial por parte do professor ou professores para que se possa lidar eficazmente com o superdotado em sala de aula. Apesar das opiniões em contrário, no entanto, investigações mais ou menos recentes tem mostrado os bons resultados da estratégia de aceleração, quando esta é aplicada com certo grau de bom-senso. Daurio (1979) cita diversas pesquisas as quais revelam que, quando os alunos são devidamente selecionados e a aceleração se dá por admissão precoce ou pela utilização dos "cursos de férias", não apenas os resultados em termos acadêmicos e cognitivos são bastante satisfatórios, como também o são o desenvolvimento emocional e social do estudante. De acordo com ele, a resistência de pais e educadores em relação a este tipo de programa fundamenta-se mais em noções pré-concebidas acerca de desajustes do que em fatos objetivos. Alencar (1986) aponta o exemplo norte-americano onde se permite que os alunos brilhantes do 2° grau cursem algumas disciplinas universitárias para as quais já estejam preparados, dispensando a necessidade de cursá-las posteriormente quando ingressarem na faculdade. Segundo ela, este sistema e os chamados "cursos de verão" tem apresentado excelentes resultados em termos de interesse, entusiasmo, aprendizagem e produtividade acadêmica. Enriquecimento Um programa enriquecimento escolar é uma estratégia pedagógica onde se oferece ao aluno capaz a oportunidade de ampliar e aumentar os seus conhecimentos por meio da participação de cursos extracurriculares, projetos especiais ou conteúdos curriculares específicos mais adiantados. A idéia parte do princípio que o aluno superdotado precisa de pouco tempo para desenvolver as atividades acadêmicas habituais para a sua idade e/ou série escolar, e que necessita de um complemento para estas atividades de modo a ocupar produtivamente o seu tempo ocioso. Também espera-se que o fato do aluno ter atividades intelectualmente estimulantes oferecidas pela escola contribua para que ele não sucumba ao tédio e, consequentemente, desperdice o seu tempo livre. Renzulli (1977) aponta três diretrizes que considera essenciais para que um programa de enriquecimento venha a ter sucesso:
A realização de tais metas, segundo ele, envolve a oportunidade do aluno conhecer os diferentes ramos do conhecimento e de escolher entre eles em função de suas habilidades e preferências, além de incentivar o preparo para saber enfrentar novas situações e problemas, e a adoção de um papel ativo do aluno na elaboração e solução dos problemas a serem resolvidos. Gowan e Torrance (1971) alertam para certas dificuldades inerentes à aplicação de um programa de enriquecimento, afirmando que é pouco realista esperar que um professor de uma turma de tamanho médio, desprovido de treinamento especial e sem tempo extra, possa ter condições de desenvolver com sucesso um programa desse tipo, voltado somente para os seus alunos superdotados que estão misturados ao restante da turma. O mais provável é que ele ou ela, quando muito, exija que tal ou qual aluno responda mais exercícios ou que domine maior parte do conteúdo programático do que os demais; dando pouca ou nenhuma ênfase ao uso de novas abordagens ou metodologias para ensinar o pensamento crítico, a originalidade ou a flexibilidade de idéias. Alencar (1986) informa que as dificuldades da aplicação de um programa de enriquecimento dentro da própria sala de aula leva a maioria dos programas especiais, especialmente nos EUA, a utilizarem o expediente de promover atividades extraclasse através de cursos ou clubes de matemática, música, ciências, computação, astronomia, literatura, filosofia, língua estrangeira, estatística, lógica, xadrez, pensamento criativo, produção de TV e ecologia. Segregação A segregação consiste em separar, temporária ou permanentemente, os estudantes superdotados dos demais alunos. O objetivo é criar turmas especiais homogêneas para as quais se possa dar um tratamento especial adequado sem prejuízo para os alunos normais. Barbe (1965) defende a segregação argumentando que este é o melhor método pelo qual a escola pode levar a criança a se dedicar, com entusiasmo, a tarefas simultâneamente interessantes e desafiadoras. De acordo com ele, facilita também o trabalho dos professores, os quais poderão trabalhar com um grupo menor e mais homogêneo no qual é mais fácil desenvolver atividades de enriquecimento. No entanto, French (1964), avisa que segregar um grupo de alunos e rotulá-los de "superdotados" pode fazer com que desenvolvam uma atitude esnobe e presunçosa, sendo necessária uma boa orientação por parte de pais, professores e orientadores educacionais para que tal tipo de postura perniciosa não se instale. McWililliams (1965) afirma que os superdotados variam muito quanto a sua esfera de talentos, o que torna sua completa segregação difícil ou mesmo impossível. Além disso, ele levanta o argumento de que os superdotados precisam, cedo ou tarde, aprender a conviverem com os indivíduos menos habilidosos, coisa que se adquire mais fácilmente num grupo heterogêneo. Clark (1979) considera todos argumentos acima quando sugere alguns princípios básicos a serem respeitados na utilização do método da segregação para que haja um bom resultado.
Trata-se de
um conjunto de diretrizes para se ter as óbvias
vantagens pedagógicas da segregação e, ao mesmo tempo,
evitar os problemas que podem surgir em termos de
uniformização, isolamento, elitismo e polarização. |
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