
SISTEMÁTICA DE IDENTIFICAÇÃO
| As Múltiplas
Dimensões da Identificação De acordo com as diretrizes do MEC/CENESP (1986), a identificação do superdotado para efeito de atendimento educacional deverá ser feita o mais cedo possível, e os critérios válidos para isso são os seguintes:
No contexto de um planejamento pedagógico ou de uma orientação educacional, a identificação de um superdotado requer a realização de uma seqüência de procedimentos para que se assegure um processo simultaneamente eficaz (capaz de realmente detectar os superdotados existentes) e eficiente (capaz de realizar a detecção de modo operacionalmente viável e econômivo). Para tanto, há a necessidade de considerar tanto o rendimento escolar e o desempenho em testes específicos quanto as avaliações mais subjetivas da parte de pais, professores e dos próprios alunos. A Opinião de 370 Educadores Ingleses Ogilvie (1973) enviou a 370 educadores (professores, pedagogos e psicólogos de 19 escolas primárias inglesas) um questionário no qual, entre outras coisas, pede a eles que assinalem, dentre diversas alternativas, quais delas constituem métodos confiáveis de identificação de superdotados. Os resultados são apresentados a seguir.
É interessante observar a grande heterogeneidade de opiniões, com apenas quatro dos dezoito indícios sendo assinalados por mais da metade dos entrevistados. A Ênfase no Professor Depois do próprio aluno, o professor é o principal agente pedagógico no contexto escolar. Assim sendo, autores como Gowan (1971) sugerem que a identificação deva iniciar-se no colégio a partir do professor, devendo ser pedido a este último que indique os alunos que mais provavelmente apresentam talento excepcional.
A idéia básica é a de que os professores podem servir para aumentar a eficiência da identificação através da seleção preliminar do grupo que posteriormente será avaliado mais objetiva e detalhadamente através dos demais métodos. O problema com esta estratégia é que ela assegura a eficiência, porém, há dúvidas quanto à eficácia das avaliações dos professores. Jacobs (1971), citado em Coburn (1983), executou um experimento interessante onde pediu a diversos professores que procurassem identificar os 19 alunos do colégio que tinham QIs acima de 135. Os alunos em questão assistiam aula com os alunos normais desses professores, e os próprios professores já lecionavam em suas turmas há seis meses. Nessa situação, nenhum dos alunos foi identificado. Entretanto, 16 dos 19 alunos foram identificados quando se pediu aos pais dos alunos para efetuar a identificação. Uma das explicações levantadas por Coburn foi o fato de que geralmente os professores tem QIs inferiores aos dos alunos superdotados os quais eles buscam identificar. Segundo ela, o treinamento pode vir a melhorar a capacidade dos professores de reconhecer alunos superdotados, mas não muito. A recomendação do Council for Exceptional Children é de que sejam utilizados vários critérios ao invés de apenas um. Um desses critérios diversos seria que a nomeação para os programas especiais fossem feitas pelos próprios alunos, pois diversos estudos mostram que eles são os mais hábeis em identificar os superdotados e os talentosos. Coburn (1983), chama a atenção para um estudo feito numa comunidade norte-americana onde se mostra a ineficácia de professores em identificar superdotados. Neste estudo, foram dados a diversos professores as informações geralmente exigidas para a admissão em programas de educação de superdotados (testes de QI, recomendações de professores, informações sócio-culturais acerca do lar de origem, desempenho acadêmico e interesses extra-curriculares) referentes a diversas pessoas reais, algumas das quais destacaram-se na idade adulta em diversas áreas. Os resultados mostraram que, embora pessoas como Abraham Lincoln, Isadora Duncan e o famosos senador americano Bill Bradley geralmente fossem identificados e "escolhidos para participar do programa", indivíduos do porte de Albert Einstein (que só aprendeu a ler aos sete anos de idade), Thomas Alva Edison (cujos professores se deseperavam com a sua "estupidez") e Eleanor Roosevelt (que era uma criança retraída e problemática) foram sistemáticamente rejeitados. Procedimentos Multidimensionais Uma sistemática de identificação de superdotados envolve uma seqüência de procedimentos que inclui etapas bem definidas, cada uma referente a uma forma diferente de avaliação. Assim, todos os métodos e agentes tem sua importância dentro de um conjunto ordenado de passos. Renzulli e Smith (1971), propõem cinco etapas bem definidas para a identificação do aluno intelectualmente ou acadêmicamente superdotado em meio a uma grande massa estudantil.
O princípio fundamental aqui é o de aplicar técnicas mais coletivas e massificadas como formas preliminares de avaliação para somente depois chegar a procedimentos mais individuais. Conclusões A identificação dos indivíduos intelectualmente superdotados dentre as demais pessoas é uma tarefa bastante complexa tendo em vista o fato de que se trata de uma atividade envolvendo questões polêmicas ainda não resolvidas, tais como:
Assim sendo, é preciso, ao menos por enquanto, encarar o fato de que qualquer tentativa de identificação de indivíduos talentosos estará necessáriamente repleta de erros e falhas bastante significativos. Isso não exime os educadores e a sociedade como um todo da tarefa de avaliação, porém, implica em diversas Tendo em vista essa inescapável realidade, a estratégia mais racional para se executar a tarefa de identificação de superdotados com a menor probabilidade de erro seria o de se adotar um critério multidimensional englobando testes mentais, indícios comportamentais, rendimento escolar e avaliações subjetivas por parte de orientadores educacionais, professores e alunos. Com tal procedimento, haveria a possibilidade dos erros cometidos por um critério ou outro serem compensados pelos acertos na maioria dos critérios restantes, ou então de ocorrerem múltiplos erros que se anulem mútuamente. No que concerne à
operacionalidade, é preciso que se adote sistemáticas
que designem os procedimentos mais rápidos e menos
onerosos como critérios iniciais de seleção, de modo a
reduzir o número de indivíduos aos quais se aplicará
as avaliações mais caras e demoradas. |
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