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Uma Definição
Funcional Na
literatura científica, existem quase tantas definições
de superdotação o quanto existem autores sobre o
assunto. Existem muitos motivos para isso, variando desde
a existência de uma grande diversidade de posturas
teóricas no que concerne à forma de se encarar as
habilidades humanas até as múltiplas posturas
políticas para com o tema da relação entre indivíduo
e coletividade. Naturalmente, todos esses fatos tem
levado a inúmeras controvérsias científicas, éticas e
políticas no que diz respeito aos superdotados.
Em meio a esse turbilhão
Ogilvie (1973) se destaca por propor uma definição
simultaneamente clara e prática para a palavra
"superdotado". Mais especificamente, ele diz:
| O
termo "superdotado" é usado para
indicar qualquer criança que se destaque das
demais, numa habilidade geral ou específica,
dentro de um campo de atuação relativamente
largo ou estreito. Quando existirem testes
reconhecidos como (por exemplo) no caso da
"inteligência", então a
superdotação poderia ser definida a partir de
escores em testes. Onde não exista teste
reconhecido, pode-se presumir que as opiniões
subjetivas de "peritos" nas diversas
áreas acerca das qualidades criativas de
originalidade e imaginação demonstradas seriam
o critério que temos em mente. (Ogilvie, 1973;
Gifted Children in Primary Schools, p.6) |
Isto quer
dizer que, segundo ele, toda a criança ou, tomando no
caso mais geral, toda a pessoa que se destaque
significativamente das demais em termos de uma dada
atividade humana relevante pode ser considerada um
superdotado. Também significa que o critério a ser
usado para a verificação do "destaque" deve
ser um teste padronizado que resulte num valor numérico,
quando possível; senão, devem ser usadas as opiniões
subjetivas de peritos na atividade humana em questão.
As Vantagens da
Definição Funcional
A definição funcional
proposta por Ogilvie apresenta pelo menos três grandes
vantagens com relação à maioria das demais, sendo
elas:
- Não apenas
caracterizar o superdotado mas também
estabelecer, em linhas gerais, os métodos a
serem usados para se medir a superdotação;
- Definir o superdotado
em comparação com o seu meio e não através de
escalas absolutas, assegurando, com isso, a
relevância do processo de identificação
independente de onde ele ocorre;
- Lidar somente com o
fato de certas pessoas se destacarem das demais
em alguma atividade relevante, independente da
causa de tal superioridade, evitando uma
conceituação excessivamente comprometida com
uma linha teórica específica.
Graças a isso, tem-se um
conceito a partir do qual é possível classificar as
pessoas quanto às suas habilidades de uma forma
sistemática e relevante, ao mesmo tempo em que se evita
que discussões teóricas tornem-se um obstáculo ao
desenvolvimento de uma prática.
A Superdotação
Intelectual
A Teoria das Múltiplas
Inteligências de Howard Gardner propõe que a mente
humana é multifacetada, existindo várias capacidades
distintas que podem receber a denominação de
"inteligência". Duas dessas inteligências
são particularmente importantes nas sociedades
ocidentais urbanizadas, sendo elas:
- Inteligência
Lógico-Matemática: É a capacidade de
analisar problemas com lógica, de realizar
operações matemáticas e investigar questões
cientificamente;
- Inteligência
Lingüística: É a sensibilidade para a
língua falada e escrita, a habilidade de
aprender idiomas e a capacidade de utilizar a
linguagem para atingir certos objetivos.
A
importância dessas inteligências é dada de modo
conjuntural, devido aos modos de produção,
organização social, ferramentas culturais e estrutura
de valores das comunidades em questão.
Devido ao enorme valor
atribuído às aptidões acima, as famosas "escalas
de inteligência" criadas a partir do final do
Século XIX e do início do Século XX, as quais buscavam
captar uma "capacidade intelectual geral", de
fato se concentravam apenas nas inteligências
lingüística e lógico-matemática, negligenciando
outras formas de aptidão mental, tais como as
inteligências musical, físico-cinestésica, espacial,
interpessoal e intrapessoal. Apesar disso, permanece o
fato de que aquilo que é medido através dos testes de
QI efetivamente representa um conjunto importante de
capacidades, particularmente nas sociedades em que mais
costumam ser empregados.
Considerando todos os
argumentos apresentados, chega-se à conclusão de que é
válido salientar um tipo específico de superdotação
intelectual, ou seja, o destaque excepcional em
habilidades lingüísticas e lógico-matemáticas, sendo
uma forma razoável de se aferir tais capacidades os
chamados testes psicométricos ou de QI, embora isso não
exclua outros procedimentos de medida. Para tanto, basta
que se mantenha sempre clara e explícita a noção de
que tais habilidades representam apenas um pequeno
subconjunto do total das aptidões mentais humanas as
quais, por motivos puramente conjunturais, assumiram um
papel privilegiado nas sociedades ocidentais urbanizadas.
Criatividade
Criatividade é o destaque na atividade de
criar, de produzir aquilo que é simultâneamente
inusitado e útil. Envolve a capacidade de perceber
possibilidades, tolerar ambigüidades, recombinar, pensar
independentemente, planejar, julgar sem preconceitos,
perceber analogias, produzir idéias em quantidade, mudar
de abordagem ou ponto de vista, e de ser original.
Trata-se de uma característica que, no contexto
cognitivo, pode se apresentar tanto como um talento em si
mesmo quanto um sabor adicional da superdotação
intelectual.
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