
ESCALAS DE AVALIAÇÃO SUBJETIVA
| Definição As escalas de avaliação sujetiva são instrumentos cuja finalidade é a de disciplinar a avaliação informal do comportamento. A idéia básica é a de estabelecer uma escala de medição e pré-estabelecer os fatores a serem avaliados, permitindo uma quantificação da subjetividade. Com isso, é possível ter um procedimento relativamente rigoroso, capaz de produzir tanto uma avaliação global quanto a comparação de traços específicos. Alguns autores tem proposto escalas dessa natureza para a identificação de alunos superdotados por meio da observação de características típicas. A Escala de Renzulli-Hartman A dupla Renzulli-Hartman (1971), citada em Novaes (1979), elaborou uma escala constando de sete itens comportamentais a serem avaliados segundo a freqüência com que são demonstrados por quem estiver sendo avaliado.
O modo de usar é bastante simples, bastando atribuir uma nota de 1 a 4 para cada um dos sete comportamentos e, em seguida, calcular a média geral. Quanto maior o valor dessa média, maior a habilidade intelectual do aluno. O ponto de corte para se considerar um estudante como superdotado é arbitrário, dependendo apenas das necessidades do avaliador, porém, na maioria dos casos, faz sentido adotar como limiar um resultado global maior do que 3.0. Um ponto forte da escala Renzulli-Hartman é a ênfase nos comportamentos observáveis e na sua freqüência, ou seja, em parâmetros que são relativamente objetivos e, consequentemente, menos sujeitos a diferenças de interpretação. Por outro lado, há uma limitação no sentido de se valorizar mais a manifestação do que o potencial das habilidades mentais. A Escala de Sisk Sisk (1974), citado em Novaes (1979), produziu uma escala de avaliação subjetiva baseada em traços intelectuais e de personalidade mais do que em comportamentos específicos, embora sejam apontadas as pistas comportamentais a serem observadas para se inferir as características que se pretende considerar.
Basta atribuir uma nota de 1 a 5 para cada uma das 10 características e, em seguida, calcular a média geral indicativa da habilidade intelectual. O ponto de corte para se considerar um estudante como superdotado é arbitrário, dependendo apenas das necessidades do avaliador, porém, na maioria dos casos, um resultado maior ou igual a 4.0 constitui um limiar razoável. O ponto forte é uma ênfase direta nos atributos da superdotação, ao invés de apenas nas suas manifestações indiretas. A limitação se dá na subjetividade dos atributos a serem aferidos, o que pode fazer com que haja muita variação entre as opiniões de avaliadores diferentes. A Escala de English English (1979), citado em Novaes (1979), propõe uma escala bastante simples e rápida, com apenas cinco itens, para a identificação de crianças e adolescentes do 2° Grau.
Como ocorre com a escala de Sisk (1974), também aqui basta atribuir uma nota entre 1 a 5 para cada um dos itens e calcular uma média geral, a qual é bastante indicativa de superdotação quando é igual ou superior a 4.0. A grande vantagem aqui é a facilidade em se fazer uso de uma escala bastante curta. A limitação é a de que uma lista tão pequena de atributos tem uma chance maior de negligenciar manifestações importantes da superdotação intelectual, além de restringir significativamente o grau de detalhamento das habilidades mentais. Pontos Positivos e Negativos das Escalas Subjetivas As escalas subjetivas representam um passo além da observação informal de traços comportamentais por delimitarem claramente quais os atributos a serem observados e por estabelecerem uma quantificação de suas intensidades. Além disso, em comparação com procedimentos mais elaborados, o seu emprego é relativamente simples e rápido, não exigindo um ambiente controlado ou sequer a colaboração dos avaliados. Em contrapartida, nem sempre haverá uma concordância entre dois observadores distintos acerca da avaliação a ser conferida a um dado atributo. Também não se está lidando com os indivíduos e seus comportamentos em si mesmos, mas apenas com as impressões pessoais e idiossincráticas que se tem deles. Finalmente, dada a necessidade de uma experiência individual prévia com os avaliados (e da memória de tal experiência em cada caso), é difícil ou impossível a sua aplicação a grandes grupos. Em suma, conclui-se que as escalas de avaliação subjetiva são instrumentos úteis para investigações preliminares acerca da superdotação de indivíduos ou de pequenos grupos. Elas podem oferecer uma visão inicial de quais são os indivíduos que mais provavelmente são superdotados, qual o grau de habilidade mental envolvido e em quais dimensões a superdotação se manifesta. Não substitui os exames mais objetivos, mas são um excelente ponto de partida ou mesmo um critério para se decidir quando vale à pena ou não aplicar testes mais padronizados. |
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