ESCALAS DE AVALIAÇÃO SUBJETIVA

 
 
  Definição

As escalas de avaliação sujetiva são instrumentos cuja finalidade é a de disciplinar a avaliação informal do comportamento. A idéia básica é a de estabelecer uma escala de medição e pré-estabelecer os fatores a serem avaliados, permitindo uma quantificação da subjetividade. Com isso, é possível ter um procedimento relativamente rigoroso, capaz de produzir tanto uma avaliação global quanto a comparação de traços específicos.

Alguns autores tem proposto escalas dessa natureza para a identificação de alunos superdotados por meio da observação de características típicas.

A Escala de Renzulli-Hartman

A dupla Renzulli-Hartman (1971), citada em Novaes (1979), elaborou uma escala constando de sete itens comportamentais a serem avaliados segundo a freqüência com que são demonstrados por quem estiver sendo avaliado.

  Escala de avaliação subjetiva de Renzulli-Hartman (1971).  
 
Item Escala
  Raramente Ocasionalmente Freqüentemente Quase Sempre
Tem comportamento verbal caracterizado por riqueza de expressão, elaboração e fluência.

1 2 3 4
Possui largo cabedal de informações a respeito de uma variedade de assuntos acima do interesse usual dos colegas de sua idade. 1 2 3 4
Tem percepção rápida das relações tipo causa-efeito, procura descobrir o como e o porque das coisas, faz muitas perguntas que são provocativas. 1 2 3 4
Tem compreensão rápida dos princípios básicos e pode tecer generalizações válidas e rápidas sobre acontecimentos, pessoas ou coisas, dá atenção às similaridades e também às diferenças. 1 2 3 4
É um observador vivaz e competente, geralmente vendo e aprendendo mais do que os outros com filmes e estórias, por exemplo. 1 2 3 4
Lê bastante por conta própria, não se esquiva de material difícil, podendo demonstrar preferência por biografias, enciclopédias, atlas, livros de viagens, poesias, ciências, dramas e artes. 1 2 3 4
Procura compreender o material mais complexo separando-o em suas partes respectivas, deduz as causas por conta própria, percebe ambos o senso comum e lógico das perguntas. 1 2 3 4
 

O modo de usar é bastante simples, bastando atribuir uma nota de 1 a 4 para cada um dos sete comportamentos e, em seguida, calcular a média geral. Quanto maior o valor dessa média, maior a habilidade intelectual do aluno. O ponto de corte para se considerar um estudante como superdotado é arbitrário, dependendo apenas das necessidades do avaliador, porém, na maioria dos casos, faz sentido adotar como limiar um resultado global maior do que 3.0.

Um ponto forte da escala Renzulli-Hartman é a ênfase nos comportamentos observáveis e na sua freqüência, ou seja, em parâmetros que são relativamente objetivos e, consequentemente, menos sujeitos a diferenças de interpretação. Por outro lado, há uma limitação no sentido de se valorizar mais a manifestação do que o potencial das habilidades mentais.

A Escala de Sisk

Sisk (1974), citado em Novaes (1979), produziu uma escala de avaliação subjetiva baseada em traços intelectuais e de personalidade mais do que em comportamentos específicos, embora sejam apontadas as pistas comportamentais a serem observadas para se inferir as características que se pretende considerar.

  Escala de avaliação subjetiva de Sisk (1974).  
 
Item Descrição Escala
Concentração É persistente no que faz e gosta. 1 2 3 4 5
Criatividade Faz coisas novas e originais com o material de sala de aula. 1 2 3 4 5
Independência de Pensamento Tem idéias próprias que mantém e defende. 1 2 3 4 5
Chamar Atenção Sobre Si Mesmo Sempre fala muito. 1 2 3 4 5
Alto Nível de Inteligência Tem capacidade de análise e síntese. 1 2 3 4 5
Grande Quantidade de Informações Está sempre complementando os conhecimentos do grupo. 1 2 3 4 5
Poder Crítico Julga e tem capacidade de julgamento. 1 2 3 4 5
Responsabilidade Assume tarefas e funções com facilidade. 1 2 3 4 5
Curiosidade Questiona e está sempre indagando. 1 2 3 4 5
Gosta de Aceitar Desafios Enfrenta Dificuldades com facilidade. 1 2 3 4 5
 

Basta atribuir uma nota de 1 a 5 para cada uma das 10 características e, em seguida, calcular a média geral indicativa da habilidade intelectual. O ponto de corte para se considerar um estudante como superdotado é arbitrário, dependendo apenas das necessidades do avaliador, porém, na maioria dos casos, um resultado maior ou igual a 4.0 constitui um limiar razoável.

O ponto forte é uma ênfase direta nos atributos da superdotação, ao invés de apenas nas suas manifestações indiretas. A limitação se dá na subjetividade dos atributos a serem aferidos, o que pode fazer com que haja muita variação entre as opiniões de avaliadores diferentes.

A Escala de English

English (1979), citado em Novaes (1979), propõe uma escala bastante simples e rápida, com apenas cinco itens, para a identificação de crianças e adolescentes do 2° Grau.

  Escala de avaliação subjetiva de English (1979).  
 
Item Descrição Escala
Possui Capacidade Verbal Faz uso de habilidades lingüísticas que normalmente não são encontradas em crianças ou adolescentes da mesma idade. 1 2 3 4 5
É Um Pensador Crítico Consegue resolver problemas com facilidade; gosta de lidar com problemas abstratos e propor soluções possíveis. 1 2 3 4 5
Demonstra Inclinação Acentuada Para a Observação Pode relacionar-se com coisas que acontecem na periferia; sempre sabe o que está acontecendo num dado período de tempo. 1 2 3 4 5
É Original em Seu Pensamento Demonstra tendência para senhar acordado; é original quanto à habilidade artística; é divergente (criativo) em seu pensamento. 1 2 3 4 5
Tem Autoconfiança Mostra preferir o trabalho individual; costuma ser chamado de "decidido"por parentes e companheiros. 1 2 3 4 5
 

Como ocorre com a escala de Sisk (1974), também aqui basta atribuir uma nota entre 1 a 5 para cada um dos itens e calcular uma média geral, a qual é bastante indicativa de superdotação quando é igual ou superior a 4.0.

A grande vantagem aqui é a facilidade em se fazer uso de uma escala bastante curta. A limitação é a de que uma lista tão pequena de atributos tem uma chance maior de negligenciar manifestações importantes da superdotação intelectual, além de restringir significativamente o grau de detalhamento das habilidades mentais.

Pontos Positivos e Negativos das Escalas Subjetivas

As escalas subjetivas representam um passo além da observação informal de traços comportamentais por delimitarem claramente quais os atributos a serem observados e por estabelecerem uma quantificação de suas intensidades. Além disso, em comparação com procedimentos mais elaborados, o seu emprego é relativamente simples e rápido, não exigindo um ambiente controlado ou sequer a colaboração dos avaliados.

Em contrapartida, nem sempre haverá uma concordância entre dois observadores distintos acerca da avaliação a ser conferida a um dado atributo. Também não se está lidando com os indivíduos e seus comportamentos em si mesmos, mas apenas com as impressões pessoais e idiossincráticas que se tem deles. Finalmente, dada a necessidade de uma experiência individual prévia com os avaliados (e da memória de tal experiência em cada caso), é difícil ou impossível a sua aplicação a grandes grupos.

Em suma, conclui-se que as escalas de avaliação subjetiva são instrumentos úteis para investigações preliminares acerca da superdotação de indivíduos ou de pequenos grupos. Elas podem oferecer uma visão inicial de quais são os indivíduos que mais provavelmente são superdotados, qual o grau de habilidade mental envolvido e em quais dimensões a superdotação se manifesta. Não substitui os exames mais objetivos, mas são um excelente ponto de partida ou mesmo um critério para se decidir quando vale à pena ou não aplicar testes mais padronizados.