O RENDIMENTO ESCOLAR

 
 
  Propensão ao Rendimento Superior

Média Global

As habilidades dos superdotados em inteligência lingüística e lógico-matemática representam uma óbvia vantagem quanto ao rendimento escolar. Uma boa ilustração disso é a comparação a seguir entre as médias obtidas por alunos normais e superdotados em QI numa escola recifense de classe média a alta (4.479 alunos pesquisados).

Tanto entre os alunos do 1° Grau Maior quanto entre os do 2° Grau, os superdotados apresentam um rendimento escolar estatisticamente superior ao dos normais, embora a diferença seja maior no caso dos alunos mais jovens.

Grupos de Matérias

É interessante observar se a vantagem detectada a favor dos superdotados se manifesta de modo semelhante nas diferentes matérias escolares. Uma forma de se fazer isso é dividir as disciplinas em Estudos Sociais (História e Geografia), Comunicação & Expressão (Português e Inglês) e Ciências (Matemática, Física, Química, Biologia, Ciências, Desenho), e realizar as comparações para cada grupo. É o que está mostrado na tabela a seguir.

Comparação Entre Alunos Normais e Superdotados Quanto ao Rendimento em Três Grupos de Matérias
  1° Grau 2° Grau
Normais Superdotados Diferença Normais Superdotados Diferença
Estudos Sociais 6.80 7.54 11% 6.40 6.68 4%
Comunicação & Expressão 6.70 7.50 12% 6.38 6.64 4%
Ciências 6.07 7.27 20% 5.92 6.25 6%
Média Global 6.50 7.42 14% 6.18 6.48 5%
Obs: Todas as diferenças são estatisticamente significativas para 5% (teste Mann-Whitney U).

Como se pode ver, a vantagem dos superdotados tende a se manifestar em todos os três grupos de matérias escolares, embora a superioridade seja mais flagrante no caso de Ciências. Também se confirma que a diferença entre normais e superdotados é maior no 1° Grau Maior do que no 2° Grau.

Sem Garantia de Sucesso

Apesar da sua propensão a um desempenho escolar superior ao dos alunos normais, a superdotação não oferece garantia de sucesso acadêmico. De fato, os dados dos mesmos 4.479 alunos mencionados acima deixam claro que uma fração relevante dos estudantes com superdotação intelectual chega a apresentar dificuldades de rendimento.

Como se pode ver, cerca de 38% dos superdotados do 1° Grau Maior e 66% daqueles do 2° Grau apresentaram rendimento escolar abaixo de 7.00, o mínimo para a aprovação imediata sem Recuperação ou Prova Final. Na realidade, 5% dos superdotados do 1° Grau e 14% daqueles do 2° Grau apresentam média global abaixo de 3.00, o que implica em reprovação sumária.

Conclusões

Os achados apresentados acima deixam claro que há uma inegável superioridade dos superdotados sobre os demais alunos no que concerne ao rendimento escolar. Também fica evidente que tal vantagem se manifesta em todos os tipos de matéria, embora se apresente mais fortemente no caso das matérias científicas.

É visível a existência de algum fator que faz com que a vantagem dos superdotados se mostre maior no 1° Grau do que no 2° Grau. Essa constatação faz sentido quando se leva em consideração que as crianças menores tendem a depender de modo mais exclusivo de suas habilidades, enquanto que os mais velhos são mais propensos a dependerem de uma quantidade maior de fatores.

Finalmente, é verificado que toda a vantagem dos superdotados não é suficiente para que eles tenham assegurado o seu sucesso escolar. De fato, mais de um terço dos superdotados do 1° Grau e mais da metade daqueles do 2° Grau mostraram média global abaixo do exigido, havendo até um certo percentual deles com sérios problemas de rendimento.