Lidando Com CRIANÇAS E
ADOLESCENTES Superdotados

 
 
  Necessidades Especiais

Dadas as suas particularidades, as crianças e adolescentes superdotados intelectuais apresentam necessidades específicas a serem atendidas para que se possa maximizar suas chances de um desenvolvimento saudável e feliz. Lázaro (1981) aponta para diversas dessas necessidades, como se pode ver a seguir.

  Necessidades Específicas das Crianças e Adolescentes Superdotados Segundo Lázaro (1978)  
 
  • Tanto a negação da superdotação por parte dos adultos quanto a exibição dos seus dotes são prejudiciais e tenderão a criar problemas na área emocional e social.
  • É tão perigoso exigir desempenho excessivo de um superdotado quanto subestimar sua capacidade.
  • O filho superdotado poderá ser um obstáculo à auto-imagem dos seus pais, podendo acarretar comportamentos inadequados de ambas as partes. O filho pode sentir-se como um intruso cujo potencial não deverá mostrar-se tal como é, o que o leva a criar sentimentos de insegurança, impotência, e levando ao desajuste social.
  • Quanto mais bem dotados forem os pais de crianças superdotadas, tanto mais capacidade poderão ter para estimular seus filhos adequadamente, desde que não confundam orientação com competição.
  • Se o superdotado sente que não é aceito pelo mundo exterior, tenderá a se subestimar, criando grande dificuldade em ver-se como pessoa talentosa e, consequentemente, renderá muito menos do que seria capaz em outras circunstâncias.
  • Também a posição do superdotado na constelação familiar é importante. O primogênito e o filho único tendem a esforçar-se mais por um melhor desempenho em agradar os pais.
 

Trata-se de um conjunto de questões que são próprias dos indivíduos bem-dotados, as quais requerem atenção especial da parte daqueles encarregados do seu bem-estar.

Lidando Eficazmente Com os Superdotados

Lázaro (1981) não apenas aponta para as necessidades de jovens com talento excepcional mas também apresenta uma lista interessante de recomendações prática acerca de como atender a elas. Especificamente:

  Recomendações Práticas Sobre Como Lidar Com Crianças e Adolescentes Superdotados Segundo Lázaro (1978)  
  1. Responder com paciência e bom humor as perguntas das crianças, aproveitando as suas expressões de interesse para direcioná-las para novas aprendizagens e explorações.

2. Valorizar a individualidade da criança. Permitir que ela seja ela mesma, ao invés de forçá-la a ser aquilo que os pais gostariam que fosse.

3. Demonstrar aprovação pelas realizações e desempenho da criança, mas continuar também a demonstrar aceitação quando a criança não é bem-sucedida, ou quando fracassa em alguma tarefa.

4. Encorajar não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também o desenvolvimento de habilidades físicas e sociais. Tanto o jogo como os exercícios físicos favorecem alguns aspectos do desenvolvimento da criança. Este período em que está participando de jogos seria também favorável à fermentação de idéias (a "incubação" citada por Wallas).

5. Dar oportunidade à criança para tomadas de decisões e escolhas entre alternativas. Tais oportunidades favorecem a sua independência e autoconfiança.

6. Encorajar uma variedade de atividades, oferecendo-lhes bons materiais de leitura, facilitando-lhes o desenvolvimento de hobbies, levando-lhe, sempre que possível, para visitas a museus e exposições, ampliando-lhe os interesses.

7. Prover a criança com bons modelos adultos, que estejam próximos a ela, que a valorizem como pessoa e que a encoragem a testar novas idéias, transmitindo à criança uma confiança em sua capacidade e habilidade.

8. Dedicar algum tempo á criança, ouvindo com atenção o que ela tem a dizer e discutindo as suas idéias.

9. O superdotado pode ter uma grande variedade de interesses e pode ter dificuldade em se concentrar em uma determinada área por um período maior. Os pais devem encorajá-lo a permanecer e se dedicar a alguns hobbies ou atividades, desestimulando o comportamento de "pular" continuadamente de uma atividade para outra.
 

Esses nove conselhos, embora não possam, obviamente, abarcar toda a complexidade envolvida na relação com os superdotados, pelos menos são úteis em abordar algumas das principais dificuldades encontradas.