
OS SUPERDOTADOS E O SONO
| Impressões Existe alguma evidência anedótica, ou seja, baseada em relatos, de que os superdotados parecem dormir menos do que a maioria das pessoas. De fato, trata-se de um dos indícios comportamentais de um QI elevado. Certamente, esse tipo de observação parece se confirmar no caso de alguns grandes gênios do passado, tais como Leonardo da Vinci, Napoleão Bonaparte e Thomas Alva Edison. No entanto, quando se faz uma pesquisa na literatura especializada, percebe-se que pouco ou nada existe com relação a um estudo sistemático desse fenômeno. Resultados Concretos Para se investigar mais objetivamente eventuais diferenças entre indivíduos normais e superdotados quanto ao sono, um total de de 3.700 alunos de QIs normais e elevados, matriculados entre a 5a Série do 1° Grau e a 3a Série do 2° Grau numa escola recifense de classe média a alta, foram comparados quanto ao número de horas que eles declaram dormir a cada noite. Os resultados médios obtido são apresentados a seguir.
Claramente, os superdotados declararam uma média de horas de sono abaixo daquela dos demais alunos. Trata-se de uma diferença pequena, da ordem de apenas 0.3 horas (cerca de 18 minutos), porém, é estatisticamente significativa. Conclusões Ao que tudo indica, existe, efetivamente, uma tendência dos superdotados dormirem menos do que as demais pessoas, porém a diferença em questão é bastante pequena em termos absolutos, totalizando menos de meia-hora por noite. Em termos relativos, trata-se de apenas 3% menos tempo. A importância do achado em questão é dada, em grande parte, pelo significado neurológico do sono, o qual as pesquisas sugerem ter a haver com a consolidação da memória de longo prazo. Outro fator importante é a distribuição dessa pequena diferença ao longo do ciclo de sono, já que, 18 minutos representam apenas 3% do tempo total de dormida, mas chegam a ser 10-15% do tempo de sono profundo ou REM, o qual, por sua vez, é componente vital dos processos cerebrais que ocorrem durante o repouso noturno. Em suma, detecta-se claramente uma diferença no tempo de sono entre indivíduos normais e superdotados, porém, tal diferença é pequena demais para ser avaliada sob o ponto de vista de implicações práticas quanto a horários e à disponibilidade de tempo. Por outro lado, a confiabilidade estatística da existência dessa discrepância, não importando o tamanho, permite que se especule acerca de um eventual significado neurológico para ela, algo que somente estudos posteriores poderão esclarecer. |
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