
SuperdotaDOS DE SUCESSo
| O Estudo de
Galton (1869) Um dos primeiros estudos sérios, embora talvez longe de ser perfeito, acerca da tipologia do pensador de sucesso foi efetuado por Sir Francis Galton em seu Hereditary Genious (1869). Utilizando-se de diversas
fontes, entre as quais dicionários de biografias,
reputação continuada e fama, Galton escolheu os que
considerou como os pensadores mais proeminentes. Ao todo,
nove tipos de intelectuais foram selecionados: 286
juízes, 57 estadistas, 59 comandantes, 52 escritores, 65
cientistas, 56 poetas, 120 músicos, 42 pintores e 196
religiosos. Segundo o próprio Galton, tal grupo seria
composto de:
O resultados referentes aos cientistas mostraram que, ao contrário do que ocorria com os outros grupos estudados, os homens de ciência tinham menor incidência de pai ou avô proeminentes ou famosos, apresentando eles maior distinção no que dizia respeito à descendência matrilinear. Segundo Galton, tal ocorrência devia-se ao fato de que a måe é de fundamental importância na determinação de uma carreira destacada no estudo da ciência, pois é ela quem ensina ao filho sua atitude básica perante a realidade, podendo tanto levá-lo a aceitar dogmatismos sem pensar quanto a tomar uma atitude de questionamento e de amor à verdade. Outro ponto no qual os cientistas diferiam do restante da amostra era no maior percentual de seus filhos que atingiam a proeminência. A Pesquisa de Cox (1926) A Natureza do Estudo Em 1926, Catherine Cox realizou uma pesquisa na qual investigou a biografia disponível acerca de 1.500 pensadores famosos, tidos unânimemente como "gênios", das quais selecionou 301 personagens cuja história pessoal foi considerada adequadamente completa. Em seguida, ela e seus assistentes e colaboradores investigaram os dados biográficos dessas personalidades em função da escala Stanford-Binet obtendo, assim, estimativas aproximadas para os valores de QI para os mesmos. O Efeito Flynn É interessante observar que as médias populacionais de acertos nos testes psicométricos tem aumentado de modo consistente desde 1916, data de referência para os cálculos de QI do estudo de Cox. Trata-se do chamado Efeito Flynn (Flynn, 1987), ou seja, uma tendência dos acertos nos testes antigos resultarem em QIs mais altos quando considerados em sua época original do que quando se toma como base de comparação padrões mais atuais de desempenho. No período entre 1916 e 1986, considerando-se os EUA, tal variação corresponde a cerca de 22 pontos de QI. Desse modo, para se verificar qual seria o nível de habilidade dos indivíduos estudados por Cox em padtrões compatíveis com os meados dos anos 80 é preciso subtrair 22 pontos dos escores originais. Os QIs dos Gênios A tabela abaixo mostra os QIs estimados por Cox para os "gênios" cuja bibliografia foi estudada. São apresentados tanto os valores obtidos por Cox quanto a correção dos mesmos para o efeito Flynn até 1986 e a extrapolação dessa correção para o ano de 2001.
Observe-se que os QIs avaliados não são exatamente proporcionais ao valor das realizações de cada um dos indivíduos estudados, como seria de se esperar, já que, como se sabe, tais realizações dependem de mais coisas do que apenas o tipo de habilidade mental que é medida pelos testes de inteligência, havendo diversos outros fatores de natureza interna e externa a serem considerados para tanto. Contudo, existe uma associação relevante entre o QI e o nível de pensamento lingüístico e lógico-matemático característico da personalidade dos sujeitos em questão. Os QIs Segundo a Área de Atuação Realizadas as estimativas de QI para todos os 301 "gênios", os resultados médios foram analisados buscando-se observar diferenças entre este grupo e a população em geral. Depois, os sujeitos foram agrupados em seis categorias em função da profissão e das atividades que eles desenvolveram em vida, procurando-se diferenciar as médias de inteligência associadas a cada tipo de atividade humana. Como mostra o quadro a seguir, os resultados evidenciaram uma ampla distinção entre os intelectuais estudados e a população em geral no que diz respeito ao QI, e também significativas diferenças entre as diversas categorias analisadas.
O ranking acima deixa clara a existência de uma relação entre o maior ou menor QI e a maior ou menor relevância das habilidades lingüísticas e lógico-matemáticas para as atividades consideradas. Note-se, porém, que mesmo no caso daquelas atividades onde esse tipo de pensamento é menos importante, tal como no caso dos artistas, músicos e soldados, a média de QI é substancialmente acima daquela da população em geral, sugerindo que, mesmo em tais casos, habilidades desse tipo podem atuar como catalizadoras de capacidades de uma outra natureza. Análise da Versatilidade White (1931), analisando os dados de Cox (1926), decidiu diferenciar as diversas categorias de pensadores quanto à sua versatilidade, ou seja, o número de áreas de atuação nas quais cada um apresentou desempenho excepcional. A idéia era obter um índice correlacionado com a criatividade e, depois, associá-lo aos diversos tipos de atividades. Um resumo dos seus resultados é apresentado logo abaixo.
Naturalmente, a tabela acima reflete tanto a maior ou menor flexibilidade dos 301"gênios" quanto o maior ou menor grau de absorção intelectual exigido pelas tarefas que abraçaram. O Experimento de Roe (1952) A Natureza do Estudo Anne Roe (1952) efetuou um estudo no qual investiga 64 dos melhores cientistas dos EUA (20 biólogos, 22 físicos e 22 cientistas sociais) no que diz respeito a inteligência, personalidade, dados biográficos, preferência cognitiva, etc. com o intuito de encontrar fatores que os diferenciassem da população em geral. A amostra foi escolhida com base na opinião de peritos de diversas universidades, editoras de revistas científicas e instituições privadas. A Estatística das Idades Na época do estudo, os sujeitos apresentavam idades variando desde os 31 até os 60 anos. A média de idade dos sujeitos no momento do estudo e quando receberam seus diplomas de Bacharelado (B.Sc.) e Doutorado (PhD) é dada na tabela abaixo.
Perfil Biográfico Os resultados biográficos encontrados permitiram construir a tipologia do cientista norte-americano de sucesso com base nos traços mais freqüentes na amostra usada, como se vê a seguir.
O fator geográfico parece não influir significativamente, exceto pelo fato de que a grande maioria cientistas vieram dos estados do norte. O nível sócio-econômico da amostra como um todo variou desde muito pobre até abastado. Quanto às origens culturais e religão, nenhum dos sujeitos desta amostra era católico, cinco eram judeus e o restante provinha de lares protestantes. Apenas três dos 64 ainda tinham interesses religiosos sérios e somente alguns sequer ainda filiavam-se a qualquer igreja que fosse. Cerca de 53% dos cientistas eram filhos de profissionais liberais, apenas 2 eram filhos de artesãos e nenhum era filho de trabalhador braçal. Do total apurado, 39 eram primogênitos, 5 eram o filho mais velho, 2 eram efetivamente os mais velhos devido à morte de um irmão em idade tenra e os 18 restantes apresentavam uma média de cinco anos de diferença de idade em relação a seus irmãos mais velhos. Obviamente, este quadro representa apenas a soma dos traços majoritários dentro da amostra. Existem diferenças não apenas individuais como também intergrupos que devem ser abordadas. Por exemplo, os cientistas sociais destacam-se dos outros por serem altamente gregários e sociais, em contraste com a flagrante timidez dos biólogos e físicos. Testes Projetivos: TAT e Rorschach No Thematic Accerption Test (TAT) os três grupos de cientistas apresentaram perfís bastante distintos. Mais especificamente:
Contudo, o resultado mais interessante da aplicação do TAT na amostra como um todo foi a ausência de indícios da extraordinária motivação em prol do desempenho que estes indivíduos efetivamente tem demonstrado ao longo de suas vidas. No que concerne ao teste de Roscharch, os cientistas sociais mostraram-se extraordináriamente produtivos e imensamente preocupados com os seres humanos, embora novamente eles, especialmente os antropólogos, tenham mostrado-se como os mais gratuitamente agressivos. Os biólogos apareceram como profundamente preocupados com formalismos e fundamentando-se fortemente em abordagens não-emocionais para a resolução de problemas. Os físicos demonstraram boa quantidade de ansiedade gratuita e grande preocupação com espaço e movimento inanimado. Desempenho em Testes de Inteligência A maioria dos testes de inteligência padronizados não eram difíceis o suficiente para estes cientistas, de modo que foi pedido ao Educational Testing Service (ETT) que elaborasse um teste especial. Tal teste foi dividido em três subtestes de modo a fornecer medidas de fatores intelectuais mais específicos: raciocínio verbal, espacial e matemático. Apesar do esforço do ETT, entretanto, o teste de matemática ainda não foi considerado difícil o suficiente para os físicos, de modo que muitos deles não o fizeram. Os resultados obtidos estão apresentados a seguir.
Os resultados do teste inteligência (presentes nas tabelas acima), evidenciam diferenças cognitivas interessantes entre os diversos grupos. Todos tem inteligência muito acima da média, no entanto existem particularidades na ênfase em determinadas habilidades. Os biólogos e psicólogos desempenharam-se melhor nos testes verbal e matemático, obtendo índices relativamente mais baixos no teste espacial. Os antropólogos atingiram melhor desempenho no teste verbal, obtendo resultados mais baixos no teste matemático e mais baixo ainda no espacial. Embora a maioria dos físicos não tenha sido submetida ao teste matemático, podemos supor, com razoável segurança, que, talvez devido a treinamento específico neste tipo de pensamento durante sua formação, eles obteriam seu melhor desempenho em tal teste, sendo o seu segundo melhor desempenho no teste verbal e seu pior resultado no teste espacial. Entre os biólogos, os geneticistas e os bioquímicos desempenharam-se relativamente melhor no teste não verbal enquanto que os outros biólogos obtiveram resultados relativamente melhores no teste verbal. Os físicos teóricos apresentaram certa tendência a desempenhar-se relativamente melhor no teste verbal enquanto que os experimentais destacavam-se mais no teste espacial. Entre os cientistas sociais, os psicólogos experimentais saem-se relativamente melhores nos testes espacial ou matemático do que os outros psicólogos ou os antropólogos. É interessante observar que a média de 154 verificada para o total da amostra é muito próxima da proporção de 1 para cada 4000 encontrada por Galton (1869) e do QI médio de 155 obtido na amostra de 300 gênios de Cox (1926). O Uso de Imagens Mentais Segundo Roe, logo no início do estudo ficou evidente que existiam diferenças significativas nos hábitos de pensamento dos diversos grupos e executou uma série de entrevistas com o intuito de descobrir algo sobre a natureza de tais diferenças. Embora não existam testes específicos para o que tentou descobrir, ela chegou à conclusão de tratar-se ao menos em parte de variações no uso de imagens mentais.
Notou-se que, de um modo geral, os biólogos e os físicos experimentais fazem maior uso de imagens visuais (mentalização de objetos concretos ou diagramas complexos) em seu pensamento e os físicos teóricos e cientistas sociais utilizavam mais a verbalização (uma espécie de "falar consigo mesmo") em seu pensar. É interessante observar que, para estes homens, a profissão do pai é um fator explicativo de grande peso no tipo de imagem mental utilizado.
Claramente, os filhos de pais de profissões onde a fala é importante (direito, sacerdócio, professorado) apresentaram maior incidência de uso de imagem verbal do que os filhos de pais com profissões que não dependem tanto do discurso verbal. |
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